Aikakone (I)
Primeira fatia das 365 do diâmetro da elipse corrente:
5h
Novas flechas da rotina fazem pontaria no alvo que eu sou.
Aceito o seu impacto, assim como a dor já habitual que invade o centro do meu corpo…
5h5’
Renuncio ao meu inferno rectangular e dirijo o meu carro de combate à cozinha, localizada às sete e meia exactas.
5h5’20’’
Encho um copo com uma pedra roubada no lar de Neptuno.
Tomo o meu remédio compacto.
Observo.
5h5’29’’
À uma e meia… noroeste do meu ser… lá está ele.
Continua a aproveitar a promoção especial que Morfeu sempre faz aos homens… exclusivamente aos homens… imediatamente após a tal “Happy Hour”.
3h30’20’’ atrás
A pilha do meu relógio. Começa a monótona valsa do ponteiro único.
3h30’10’’ atrás
Localizo a sua mão às doze horas em ponto do eixo das minhas vértebras.
3h30’08’’ atrás
Verifica-se a descida da mão intrusa, sentido anti horário… direcção seis horas… activar defesas.
3h29’30’’ atrás
Prevê-se a habitual entrada de um descendente da mão intrusa, às seis horas e um minuto, daqui a um segundo…
3h29’29’’ antes
Maktub[1]
3h29´10´´ antes
ADVÉRBIO: Palavra que qualifica a acção do verbo.
Existem advérbios de lugar, de quantidade, de modo… lentamente…devagar…rapidamente…depressa… advérbios de tempo… raramente, frequentemente, sempre. Nunca.
3h27’30’’ atrás
Esgota a energia da bateria. Para o meu relógio.
3h25’ atrás
Chegada de Morfeu às doze em ponto do eixo das suas vértebras. Promoção especial, only for men…
Repousar armas.
3’24’30’’ atrás
A vítima jaz virada, na direcção uma hora, ali… nesse campo de batalha paralelo ao íman do mundo.
7h45’
Deixo-me levar com frequência pelo camião de gado humano. É o caso.
A dor do centro do meu corpo alivia-se paulatinamente com o veneno que emerge da maça do meu peito.
8h35’10’’
Sentada como estou na razão do meu salário, consigo adivinhar, logo à minha direita, o futuro do meu dia.
?
Falha o sistema de coordenadas, como sempre acontece quando ele está por perto. A força do seu campo magnético descontrola por completo a minha bússola…
…mas o que tem de ser, será…
17h29’?
Maktub
17h26’07’’?
¿Un minuto? ¿Treinta segundos? ¿Cuatro horas?
¿Una vuelta completa en el jarrón de los momentos?
La eternidad del instante… la rumba de mis agujas.
¿La razón primera? Lo que no comprendo…
…el motor de mi ciclo…
Maktub, maktub, maktub…
[1] Estava escrito.

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