Aikakone (III)
Segunda fatia das 365 do diâmetro da elipse que continua a correr:
19hXX’XX’’
Duzentos dezasseis mil trezentos e vinte e oito segundos passados a ler as folhas dos públicos segredos, sentada às quinze horas exactas da sala onde espero.
Aguardo pela minha vez com o veterinário das almas.
O mesmo fazem os meus colegas dentro deste sistema de pontos espaciais.
19h21’XX’’
Duzentos dezasseis mil trezentos e vinte e nove segundos.
O tempo de espera do olhar andante que está aqui sentado, às nove e um quarto.
19h33’00’’
Uma alma sem cálcio contempla-se no olho da verdade, às dezassete horas. Também espera.
Eu insisto nos meus cálculos: penso estatisticamente numa distribuição da curva normal e faço as contas à média e à variância das minhas sensações para prever, com uma margem de erro de três por cento, que serei feliz passadas sessenta mil milésimas de segundo.
Certo.
19’50’58’’
…sou a Laika. Sim, sou a cadela mais uma vez perdida pelo espaço da minha urbe.
O meu diagnóstico?: fêmea calculista com astigmatismo do coração.
20h20’39’’
Astigmatismo do coração. Não sou a culpada quando os meus óculos de quartzo fracassam…
…o certo é que não quero mais cristais.
Quero dar o salto atrás, a cambalhota mortal: encontrar o passado dos vidros, esse que descubro sempre que ele me toca e a minha mente detém o cálculo de coordenadas. Deixo-me levar pelas voltas do jarro dos momentos…
22h19’XX
Penhora de A pela fome de B e de B pela fome de C e… mais uma volta.
Sou o eixo, o ponto de encontro das rotineiras lanças. Sou a sua origem e simultaneamente a sua vítima…
XXhXX’XX’’
¿Sabía usted que en un día terrestre completo existen por lo menos nueve momentos, nueve, en los que el minutero se funde con el horario?.
…las doce y media, por ejemplo.

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